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Chama-se inês com i pequeno e um dia vai ser bailarina de caixa de música ou cinderella profissional. Não gosta de palhaços e tem pavor a machucares de coração. Gosta de decalcar sentimentos e remexer em entranhas. Quando fica nervosa morde o lábio inferior ou finge tocar piano nas pernas. Tem o coração pequeno e os olhos grandes, tem os olhos muito grandes.

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22 Cubos de gelo
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segunda-feira, 19 de outubro de 2009
Nós construímos Começou por ser apenas um monte de areia, como todos começam. Mas aos poucos, tu e eu, o nós daquela altura, foi-lhe dando forma. Construímos um belo palácio, cheio de cantos e recantos, salas estonteantes que enchemos, sobretudo, de memórias: gestos, aromas, palavras soltas. Vivémos lá durante um tempo, que na altura me pareceu insignificante. Vejo que devia ter aproveitado mais, porque agora uma onda de rancor, mágoa e ciúmes debruçou-se sobre o nosso bocadinho de arte, destruindo-o por completo.Enquanto eu continuo impávida, estupefacta a olhar para o nada a que tudo se reduziu, tu, pelo contrário, com esse espirito empreendedor, já começaste a construir um novo. Só que desta vez não quiseste a ajudar-te.Já quase que acabaram a construção. É mais rápido com ela, não é? Claro que é. Ela nem hesitou quando, delicadamente lhe pediste ajuda. Eu demorei imenso tempo a aceitar tal sublime convite. Mas tu não desististe, e acabámos contruindo aquilo que foi a minha felicidade durante aquele tempo.
Mas no meio de tanta pressa em terminar, perderam a magia da construção. Perderam os sorrisos de quando mãos se encontram por acidente, a mágoa de quando um destrói involuntariamente algum bocado e o conforto de juntos lhe voltarem a dar forma. Adoravas essa parte, eu sei. Agora apressa-la, o tempo está a contar.
Sabes muito bem que nao conseguirão fortificar tão má construção. A areia secou desde a minha passagem. Recusa-se a servir-vos neste momento. Ela ainda se lembra de mim..
Não há-de tardar muito até que a maré encha de novo e destrua esse 'castelo'. Vai encher e vai-me trazer de volta para junto de ti e dos teus destroços.


Pena que não queiras que volte. Pena que me tenha fartado de construções na areia.