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Chama-se inês com i pequeno e um dia vai ser bailarina de caixa de música ou cinderella profissional. Não gosta de palhaços e tem pavor a machucares de coração. Gosta de decalcar sentimentos e remexer em entranhas. Quando fica nervosa morde o lábio inferior ou finge tocar piano nas pernas. Tem o coração pequeno e os olhos grandes, tem os olhos muito grandes.

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11 Cubos de gelo
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terça-feira, 29 de junho de 2010
Pediram-me, no auge da sua ousadia, para escolher entre palavras e gestos. O eterno dilema. A perguntam veio em tom jocoso, pronta para receber uma resposta forçada arrancada de lado nenhum. Sabem a cumplicidade que tenho com os gestos. Como a dança é a minha amante das noites solitárias e dos dias repetitivos. Mas as palavras servem-me de alicerce. São-me muito, penso que o são a toda a gente. Fascina-me o poder da sua brutalidade. Como as respiramos, sem nos apercebermos que estamos a cometer o maior erro possível. Por isso terei de classificá-las como amores paralelos. Os vocábulos, serão talvez a relação estável e exposta. A dança é o desequilíbrio na sua forma mais bruta - é paixão, é fome de amor efémero, desejo consumado. Palavras em movimento. Tantos bons momentos já passámos juntas, eu e ela. Sempre em segredo. Não absoluto, mas circunstancial. É o tipo de affairs que só faz sentido em sigilo. Paixão de simetria falhada.


17 Cubos de gelo
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quinta-feira, 24 de junho de 2010


Eu vou gostar um bocadinho de ti sempre, está bem? mas só um bocadinho. 
E tu também hás-de gostar sempre um bocadinho de mim. Um dia amaste-me mais que tudo. Vais sempre gostar um bocadinho de mim por isso. Nem dava para ser de outro jeito.

33 Cubos de gelo
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domingo, 20 de junho de 2010
Estou bem, estou realmente bem. O meu quarto esqueceu a sua cor azul e tomou contornos lavanda por momentos. Acolhe-me nos seus braços como se fosse a sua filha desaparecida. E eu deixo-me enroscar nele como se fosse um grande amor perdido. Estou bem, estou realmente bem. A calma entrou-me pela boca e vocifera agora perto dos meus pulmões. Vejo-me de limites bem delineados. Não te sinto a falta. Não devia fazer questão de to dizer, mas tenho a necessidade de te apunhalar o ego da mesma forma que me apunhalaste a alma vezes e vezes sem conta. Ainda serei de porcelana? Tu costumavas achar que sim. Não estou em posição de o negar. 
De porcelana o era, de porcelana ainda o sou. Se porcelana sempre o serei, enquanto houver alguém disposto a colar os estilhaços. E mesmo depois disso partirei com a mesma facilidade. E aí?


30 Cubos de gelo
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quarta-feira, 16 de junho de 2010
Vou-me habituando à tua ausência. Da mesma forma que me habituei a ter-te a afagar-me os cabelos cada vez que me feria também me habituei às tuas rejeições abruptas de qualquer tentativa de aproximação minha. Não te sou nada e cada vez esse nada se torna mais vazio. Vou-me habituando a ter-te longe. Força das circunstâncias, que até agora a distância mental era-nos uma alergia mútua. Mas as coisas mudam e o amor foge-nos por entre os dedos. é pena. 


16 Cubos de gelo
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domingo, 13 de junho de 2010
- Admite lá que fui a melhor parceira de dança que já tiveste.
- Sim, é verdade.
- Muahahahah, eu sabia 8) É pena que já não me lembre de muito desse tempo.
- Lembro-me de um dia teres chegado toda chateada porque te tinham tratado mal na escola xD Nesse dia dançaste como ninguém. Caramba.
- Recordo-me bem. Estivemos extremamente bem nesse dia, não foi?
- Bem? Nós nesse dia tocámos as estrelas. 
Ai, as saudades. Mas estas conversas adocicam-me o ser.

22 Cubos de gelo
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quinta-feira, 10 de junho de 2010
Soa-me a noite de Verão. De céu alaranjado e bolhas de sabão no ar. De desejos tão leves quanto as curvaturas do mar verde esmeralda que tanto admiramos sem razão nenhuma. De sorrisos cúmplices disfarçando as feridas ainda abertas do passado. Soa a noite de tentativas de arranjar algo para ocupar a mente e enganar o coração. Soa a  paixão. Fugaz, fátua, leve . De paixões daquelas, desalmadas. Amor? Não, amor não. Verão é vê-lo passar. É arrancá-lo do corpo, despi-lo e largar todas as fibras de que é composto. Soa-me a gargalhadas sonoras arrancadas com facilidade. Verão é deixarmos a hipersensibilidade de lado e substituí-la por uns passos de twist de fim-de-tarde. Amores de primeira instância. E até já consigo ouvir o rachar dos primeiros corações. Verão. Hoje respira-se liberdade. E eu, eu não sou de ninguém. Estou de pedra e cal firme nos meus próprios pés. Mato-me pelo puro prazer de puder nascer em mim de novo. Os apoios, quero-os de outra forma. A meu lado. Sonhando, vivendo, sendo.


16 Cubos de gelo
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domingo, 6 de junho de 2010
Sou feita de incertezas. As verdades seguras descolam-se-me nos momentos cruciais. E agora pergunto-me: será que vale a pena? Vale a pena por todos os corações combalidos, todas as lágrimas que se evaporaram em rostos já demasiado humedecidos, todos os abraços de alento e pedidos de desculpa de olhos enterrados no chão? Porque eu já não sinto esse nosso grande amor. Essa nossa tamanha altivez que nos fez arrastar mundos. Já não sinto essa tua necessidade de me teres por perto. Já não me sinto a transpirar em cada poro teu. Sei que te amo. Sem falsidades ou alter-egos, dúvidas ou incertezas. Sem brincadeiras de criança ou jogos de adulto. Amo-te como se ama: de alma encaixada e coração desnudado. Amo-te como sei. Do jeito que me ensinaste. E quero sentir-te palpitando debilmente por mim de novo. Quero sentir-te o desespero em cada pulsação e medir o ódio que te corre nas veias. Um dia ganho coragem e acabo contigo - só para me sentires a esvair por entre os dedos. Para que a minha falta te arranhe as paredes do coração. Apenas o tempo necessário para que entendas tudo o que te sou. Seja lá quanto isso for.


14 Cubos de gelo
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quinta-feira, 3 de junho de 2010
- Cheguei à brilhante conclusão que não me conheces minimamente.
- Ai não? Gostas de luz, brilho. Mas preferes a noite, o tumulto. Invólucros cativam-te e tu cativas-me a mim sempre que te vejo tratando pessoas como prendas envoltas de papel que rasgas efusivamente. Tu queres mais. Em silêncio, queres tudo. Roubar uma estrela, guardar o mundo numa mão fechada. Ver mares escorrerem-te por entre dedos e rir. Rir ao som das tuas próprias gargalhadas. Se há coisa que adoras é fugir-te. Foges de ti mesma vezes e vezes sem conta. Perdes-te para que te possas encontrar, já o dizia Florbela. São gostos que te pertencem. Que se entranham em ti e te constroem. Por isso sim, penso que te conheço. Definir-te nunca o saberei. És um círculo fechado num plano entreaberto. E eu gosto-te assim. De te descobrir em cada gesto, palavra, expressão ou bater de pé. É em cada silêncio que te sinto.


15 Cubos de gelo
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terça-feira, 1 de junho de 2010
«Que a água seja como gotículas de chuva ácida que molham e queimam. Que todo aquele imbróglio de sons se sobreponha ao decrépito verter das minhas lágrimas. 
Desisto, tudo isto é em vão. Tentarei, de novo, mais tarde. Quando as estrelas deixarem de brilhar e a água não corra mais em ciclos contínuos. Quando as flores não mais precisarem de Sol e eu não mais precisar de ti. Disseste que seria assim. O nosso amor acabaria quando o mundo se tornasse uma grande bola de fogo regida por a opressão. Quando as coisas bonitas fossem destruídas e o tumulto tomasse lugar. Acabaria o que nos une tão debilmente. As nossas frágeis palavras de cetim e frívolos sentimentos de cartão.»
6 de Setembro de 2009.